Veja no que São Paulo de Dorival, com mais dias para treinar, é pior ou melhor do que o de Ceni

No empate contra a Ponte Preta, o técnico Dorival Júnior comandou o São Paulo pela 11ª vez no Campeonato Brasileiro, igualando assim o número de vezes que Rogério Ceni esteve à frente da equipe na competição (Pintado dirigiu uma vez, no revés por 3 a 2 para o Santos, completando as 23 rodadas).

O saldo atual mostra que o time tricolor somou mais pontos com Dorival, tendo melhorado o desempenho do ataque e do time quando joga fora de casa. Mas o treinador leva desvantagem em relação a Ceni quando se compara o rendimento da defesa e o da equipe dentro do Morumbi. Na comparação entre os dois, Dorival também teve mais tempo livre para treinar o São Paulo desde que o Brasileiro começou. Até a pressão externa sobre eles é diferente.

Até mesmo o período para treinos foi favorável para Dorival. Para citar um exemplo, da derrota para o Palmeiras por 4 a 2, em 27 de agosto, até o empate com a Ponte Preta por 2 a 2, no último sábado, foram 12 dias livres para treinamento devido a pausa para a data Fifa.

O único quesito em que os treinadores empatam é a colocação do São Paulo. Ceni saiu ao final da 11ª rodada com o time na zona de rebaixamento. Dorival vai ver a equipe completar a 23ª rodada também no chamado “Z4”.

Veja abaixo o saldo de cada um dos técnicos em seus 11 jogos no Brasileiro.

  • Aproveitamento

Com Rogério Ceni, o São Paulo venceu três vezes, empatou duas e perdeu seis. Um aproveitamento de 33,3% dos pontos.

Com Dorival Júnior, o São Paulo venceu três vezes, empatou quatro e perdeu quatro. Um aproveitamento de 39,4% dos pontos.

  • Ataque

Em 11 jogos, Rogério Ceni não conseguiu fazer o São Paulo se destacar tanto no ataque. A equipe marcou dez gols, ou seja, uma média de 0,9 tento feito.

Em 11 jogos, Dorival melhorou o desempenho do ataque. A equipe marcou 18 golsnessas partidas, com média de 1,64 tendo por jogo.

  • Defesa

A defesa era criticada na era Rogério Ceni especialmente porque no Estadual tomava muitos gols. Mas nos 11 jogos que ele comandou no Brasileiro a equipe tricolor apresentou uma melhora. Sofreu 11 tentos, ou seja, média de um gol sofrido por compromisso.

Dorival não tem histórico de fazer grandes trabalhos defensivos. No São Paulo não conseguiu alterar esse histórico. A equipe sofreu 21 gols em 11 jogos, ou seja, uma média de 1,90 tento sofrido por confronto.

  • Mandante

A força do São Paulo é o Morumbi. Nunca dúvida. Rogério Ceni tirou proveito dos jogos no estádio tricolor. Foram três vitórias, um empate e uma derrota, o que representa um aproveitamento de 66,7% dos pontos.

Dorival também teve o Morumbi como aliado desde que chegou ao clube. A média de público é de mais de 30 pessoas por jogo. Mas isso não representou um efeito nos resultados. Foram duas vitórias, três empates e uma derrota, o que representa 50% de aproveitamento.

  • Visitante

Jogar longe do Morumbi passou a ser um pesadelo para o São Paulo em 2017. E o período em que Rogério Ceni comandou o time no Brasileiro deixa isso bem claro. A equipe não venceu nenhuma vez, empatou um jogo e perdeu cinco. Apenas 5,6% de aproveitamento.

Dorival Júnior conseguiu melhorar. Com ele o São Paulo bateu o Botafogo, no Rio de Janeiro, naquela que é vista como a melhor partida do time nos últimos meses. Foi uma vitória única. Ele soma ainda um empate e três derrotas. Ou seja,26,7% de aproveitamento.

  • Treinos

Item importante. Quando a fase ruim chega, é normal os técnicos reclamarem de pouco tempo para treinar. Rogério Ceni não pode dizer isso porque quando o Brasileiro começou o São Paulo já não disputava outra competição. Ao todo, ele teve 41 dias livres (não significa que tenha aproveitado todos, pois é normal os jogadores terem folgas após as rodadas) e cinco semanas cheias, isto é, sem jogos em um intervalo de dois/três dias.

Dorival Júnior teve três dias para conhecer o time antes de estrear (no empate por 2 a 2 com o Atlético-GO, no Morumbi), é verdade, mas olhando tudo o treinador teve muito mais tempo para aplicar treinos do que seu antecessor. Foram 51 dias livres (novamente: não significa que tenha aproveitado todos, pois é normal os jogadores ganharem folga após as rodadas) e sete semanas cheias.

O ganho de Dorival foi por conta da data Fifa, que fez com que o Brasileiro não tivesse jogos do dia 28 de agosto até o dia 8 de setembro. Nesses 12 dias para treinos, os jogadores do São Paulo ganharam os dois primeiros de folga por opção da comissão técnica (Corinthians e Grêmio treinaram em 11 dos 12 dias).

  • Pressão

Todo técnico sofre pressão, mas é fato que Rogério Ceni tinha um respeito maior por ser um ídolo do São Paulo. Nunca sofreu pressão diretamente da torcida nem dos conselheiros do clube. Nas últimas semanas da sua direção tinham, sim, reclamações de conselheiros ao presidente.

A pressão sobre Dorival Júnior ainda é pequena. Mas ela já é publica. O conselheiro Newton Ferreira, o Newton do Chapéu, que chegou a concorrer para a presidência do São Paulo, em 2015, vez coro para a saída do treinador em mensagem divulgada por Whatsapp após o jogo com a Ponte.

“Demos todo o apoio ao Dorival, mas tudo tem limite. Chega do Dorival, o time não se encontrou com ele, e os resultados mostram que o desempenho dele foi pífio. Eu contrataria o Leão como treinador e o Muricy como coordenador”, escreveu Newton.

Por ESPN.com.br

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