Vasco: sindicato diz que clube não pagou demitidos, ignora FGTS desde 2018 e propôs rescisão em ‘303 parcelas’

Um áudio de uma assembleia realizada na última segunda-feira (12) entre representantes do Sindeclubes e funcionários demitidos do Vasco revelou o tamanho do buraco vivido pelo clube nos últimos tempos. No diálogo obtido pela ESPN Brasil, os sindicalistas detalham informações preliminares da tentativa de acordo do Cruzmaltino após desligar 186 profissionais do clube no último dia 12 de março.

Foto: Divulgação ESPN

Inicialmente, o Sindicato confirma que o Vasco não pagou qualquer valor devido aos ex-funcionários pela rescisão. E que não pretende fazer isso de imediato, uma vez que lutará na Justiça para cancelar multas devidas e prorrogar pagamentos. Em um dos casos, o clube de São Januário sugeriu dividir em 303 vezes o pagamento da rescisão de um funcionário demitido, o que daria mais de 25 anos de acordo até que a dívida seja quitada.

“Quando muda a diretoria, tem sempre uma leva de 100 pessoas mandadas embora ali. Nos pegou de surpresa a quantidade agora. Mais de 180. O Vasco nos procurou para ver um modo viável para o clube, o que não quer dizer que seja viável para vocês, de pagar a rescisão. Como seria? Em parcelas. Tem gente que tem duas parcelas, tem gente que tem 50 parcelas. Tem gente que tem 303 parcelas, para vocês verem o nível do parcelamento (risadas dos presentes). É parar rir mesmo. Situação complicadíssima. É nosso dever como sindicato, a partir do momento que existe a possibilidade de um acordo coletivo, convocar vocês. Só nos resta dar um norte do que está acontecendo”, explicou o representante do Sindeclubes.

O Vasco questiona tais dados e diz que o número de parcelas é um exagero, nunca tendo sido citado. O clube cita sua proposta de acordo coletivo, onde todas as verbas rescisórias oferecidas seriam pagas até o fim de 2023.

Ação no Ministério Público tenta anular demissões

Na sequência, o Sindicato revelou que já entrou com uma ação no Ministério Público do Trabalho para tentar reverter as demissões e explicou como o Vasco tenta se defender para não pagar multas estabelecidas pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) devidas ao grupo.

“Uma ação coletiva do Ministério Público, através do Sindicato, com pedido de nulidade das demissões. É difícil, mas pedimos. Caso não se anule, que se pague as rescisões. Eu não vejo uma coisa boa. Processo coletivo demanda anos. Muito mais tempo que o processo individual. Segundo cenário é uma proposta do Vasco de parcelar a rescisão de vocês, mas deixando de pagar a multa do 407 (artigo que estabelece multa de um salário caso a rescisão não seja paga em 10 dias) e do 467 (artigo que estabelece multa de 50% sobre o valor total da rescisão quando não há entendimento em primeira audiência). O que recomendamos é que cada um decida de forma individual”.

Incomodados, os representantes dos Sindeclubes relatavam ainda que o Vasco é o clube com o maior número de reclamações no local. “O que mais advogamos aqui é processos contra o Vasco. Infelizmente, de três em três anos chega uma leva. Eu costumo brincar que o Vasco paga três folhas: a dos demitidos, a dos funcionários e o ato trabalhista. Por isso essa situação”, disse o representante do grupo na assembleia.

‘Há 12, 13 anos que escutamos a mesma coisa’

Outro ponto preocupante levantado na reunião foi o fato de o Cruzmaltino não pagar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de seus funcionários integralmente desde 2018.

“O argumento é sempre o mesmo. Se não fizermos assim, vamos quebrar. Caramba, há 12, 13 anos que escutamos a mesma coisa. É um momento de pandemia, Globo diminuindo receita, ok. Mas não adianta 180 pessoas embora e contratar dez que equivalem a essas 180. E outro ponto é vocês saírem ‘com uma mão na frente e outra atrás’. Além da ação, pedimos uma tutela antecipada. Para pessoa receber o que tem de FGTS depositado e dar entrada no seguro-desemprego antes da audiência. Porque a audiência pode ser marcada daqui a um mês, 15 dias ou três meses. Um fôlego para vocês sentarem e não aceitarem qualquer coisa que vem do Vasco. Muita gente… aliás, todo mundo não tem fundo depositado de forma integral. Desde 2018 que o Vasco não paga o fundo de garantia”, informou o representante do Sindicato.

Por Pedro Ivo Almeida

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