Esquema de segurança em Madri para River e Boca teve até tanque

Depois dos atos de violência de torcedores que adiaram a final da Copa Libertadores e tiraram o segundo jogo de Buenos Aires, um esquema de segurança especial e reforçado garantiu a realização da decisão da competição sul-americana em paz neste domingo (9), em Madri.

Foto: Reprodução / Twitter

A Polícia Nacional da Espanha não registrou nenhuma briga ou grandes problemas antes e durante a partida. No fim, a festa foi da torcida do River  Plate, que fez do estádio Santiago Bernabéu a sua casa e comemorou o tetracampeonato com a vitória por 3 a 1, na prorrogação.

Com aproximadamente 4 mil agentes de segurança e um controle rigoroso dos torcedores, o esquema armado para o jogo foi atípico para a capital espanhola, com o dobro de policiais que normalmente trabalham em um clássico entre Real Madrid e Barcelona no local. Também foram acionados a cavalaria, helicópteros e veículos blindados. Até tanques da polícia foram vistos nas ruas, o que despertou a curiosidades dos torcedores, que paravam para tirar foto em frente.

Desde a manhã de domingo, torcedores das duas equipes argentinas se reuniram nas Fan Zones criadas especialmente para a partida, cada uma a 1,5 km do estádio, em direções opostas, nos dois extremos do Paseo de la Castellana, uma das principais avenidas da cidade.

As torcidas adversárias ficaram separadas e não se encontraram. Os fãs do Boca se concentraram em Nuevos Ministérios, e os do River ficaram próximos da estação de metrô Cuzco. As Fan Zones contavam com telões, tendas com venda de bebidas e comidas e um guichê para a troca de ingressos comprados pela internet.

Só quem apresentou bilhete do jogo teve acesso ao perímetro cercado ao redor do Santiago Bernabéu. Além disso, uma revista minuciosa foi feita pelos policiais. Depois da violência contra o ônibus dos jogadores do Boca no dia 24 de novembro na partida que aconteceria no Monumental de Nuñez, a preocupação era grande, principalmente com os chamados barra bravas, os torcedores com comportamento mais violento.

“Tivemos que fazer uma preparação em pouco tempo do esquema de segurança, e não conhecíamos bem o perfil das torcidas. Mas tivemos conversas com a polícia da Argentina, foi feito um trabalho de segurança e estamos bem preparados. Por enquanto, não tivemos nenhum problema. Tudo está correndo bem”, disse Rubén Campos, inspetor da Polícia Nacional da Espanha, um pouco antes da bola rolar.

A chegada dos ônibus com as delegações das equipes ao estádio era um dos principais pontos de tensão antes do duelo, mas tudo correu na mais absoluta tranquilidade. Os veículos de River e Boca fizeram um trajeto em que só tiveram contato com os torcedores do próprio time perto do Bernabéu, cada um chegando por um lado diferente. Ainda assim, uma barreira de isolamento foi feita por policiais, que fechou o acesso de torcedores à rua onde fica o portão de entrada dos times. Além disso, como os ônibus estavam descaracterizados, sem o símbolo ou nome de nenhum clube, muita gente nem sabia que eram as equipes chegando.

Durante o jogo, com um público de 62.282 pessoas no estádio do Real Madrid, o clima foi de uma tradicional festa sul-americana no futebol, com as duas torcidas cantando bastante e fazendo barulho. Um ambiente que raramente acontece nos estádios da Europa, o que chamou a atenção de muitos madrilenhos.

A torcida do River tinha uma leve maioria no Santiago Bernabéu, mas foi a do Boca que cantou mais alto e mais frequentemente durante o jogo. No fim, com a vitória na prorrogação, os torcedores do River Plate fizeram a festa final nas arquibancadas e nas ruas de Madri. Na provável única decisão da Libertadores fora da América, por causa da falta de garantia de segurança na Argentina, a paz acabou vencendo a violência.

Por Tiago Leme | Folhapress

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