Cruzeiro acusa Palmeiras de aliciamento por Estevão Willian, ‘Messinho’; time paulista nega

Dois dias depois de Estevão Willian – apelidado de Messinho – ter sido registrado pelo Palmeiras, o Cruzeiro, enfim, se pronunciou sobre a saída do garoto de 14 anos, considerado uma das principais promessas da base. Houve críticas ao staff da joia e à diretoria do Palmeiras, a qual o clube celeste cita possibilidade, inclusive, de aliciamento – o Verdão, por sua vez, nega irregularidade.

Estevão Willian deixou o Cruzeiro e fechou com o Palmeiras — Foto: Gabriel Duarte

O clube alviverde rebateu a acusação e diz que a negociação foi legal, uma vez que o jogador estava livre no mercado quando assinou o contrato, na quinta. A diretoria diz que se certificou que agiu dentro da lei, e que a escolha pelo Palmeiras foi feita pelo pai do jogador, que já tinha outras duas propostas oficiais, inclusive.

O Cruzeiro alega ter recebido com “ingrata surpresa” a notícia de saída do garoto da Toquinha, que foi conduzida de maneira “bastante questionável”, ainda segundo a nota divulgada pelo clube celeste. A alegação é de que não houve, em momento algum, comunicação do acerto com o Palmeiras, fosse por parte do pai de Messinho ou ainda por André Cury, agente que cuida da carreira do garoto.

A forma como a situação foi conduzida pelo Palmeiras também motivou críticas por parte do Cruzeiro. O clube celeste relata que os paulistas levaram a documentação do garoto à CBF no último sábado, dia 1º de maio, sendo que Estevão ainda compareceu à Toca da Raposa na segunda-feira, dia 4, para tratamento de uma fratura sofrida em fevereiro deste ano.

O Palmeiras, por sua vez, rebate a versão. O clube diz que a negociação avançou apenas após o dia 4 e registrou o contrato com o garoto no dia 6, quinta-feira.

– O jogador estava livre no mercado. Ele não estava registrado no BID do Cruzeiro, que poderia ter feito isso desde os 12 anos. E o Cruzeiro desde julho ou agosto, não tem certificado de clube formador, que protege estes meninos. O jogador tinha três propostas oficiais, melhores que a nossa, e ele escolheu o Palmeiras. O pai acha o melhor projeto de base do Brasil hoje, o clube que dá chances a muitos meninos, o maior campeão do Brasil e minha função é procurar os melhores profissionais para o clube. Só fiz minha função, como eu perdi o José Aldo, que era meu camisa 10 e saiu livre no mercado. O Messinho estava livre, e o Palmeiras foi escolhido, por tudo que o Palmeiras se tornou na sua base, mesmo com uma oferta muito menor, menor até do que ele ganhava no Cruzeiro – afirmou João Paulo Sampaio, coordenador da base alviverde, ao ge.

A situação pode se caracterizar como aliciamento, na visão do Cruzeiro, que criticou nominalmente João Paulo Sampaio. Vale lembrar que a saída de Estevão aconteceu logo que ele completou 14 anos, idade em que pode assinar o primeiro contrato (feito com o clube paulista).– O garoto realizou sessões de tratamento já com contrato assinado com outra equipe, o que só reforça o comportamento questionável por parte de seu staff e também de João Paulo Sampaio, gerente do Centro de Formação de Atletas do Palmeiras e também membro da ABEX – Associação Brasileira dos Executivos de Futebol – o que potencializa ainda mais a decepção e repúdio por parte do Cruzeiro – diz a nota divulgada pelo Cruzeiro.

O diretor palmeirense argumenta que o fato de o Cruzeiro não ter há quase um ano o Certificado de Clube Formador o deixou desprotegido. Por lei, este certificado protege o clube para atletas acima dos 14 anos de idade, mas há um acordo para se discutir casos com idade menor, também.

– Pelo movimento dos coordenadores de base, em que eu já fui presidente e hoje sou diretor, protegemos casos abaixo (de 14 anos). Mas precisa ter o certificado, por isso nem o movimento dos clubes formadores poderia proteger o Cruzeiro. Já protegemos vários clubes em muitas situações, e uma foi com o próprio Cruzeiro, que levou um jogador do América-MG, o Vitor Roque, em outra gestão – continuou João Paulo, que chegou a conversar com o presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues.

– Eu só respondi ao presidente, porque já o conhecia: fui profissional. Eu sou pago para isso, uma das minhas funções é ter os melhores jogadores. Se eu não pego, outro clube pegaria, porque já tinham outras duas propostas oficiais. O jogador estava livre no mercado, o movimento só protege quem tem certificado de clube formador ou até três meses após o vencimento (do certificado). O jogador estava disputado por vários clubes. A gente, como profissional do mercado, queria o atleta de ponta, na idade e na base do Brasil é um dos melhores – acrescentou o palmeirense.

Ivo Gonçalves, pai do garoto, esteve envolvido em uma polêmica na gestão de Wagner Pires de Sá e é, atualmente, investigado pelo crime de falsidade ideológica. No comunicado divulgado neste sábado, o Cruzeiro fez questão de dizer que vinha buscando reaproximação com Ivo e com o próprio Estevão Willian.

Um dos processos feitos pelo clube nessa tentativa foi, segundo o comunicado, uma apresentação de quase três horas aos pais de Estevão, coordenada por Gustavo Ferreira, responsável pela base cruzeirense, mostrando a programação prevista para o garoto.

Por Guilherme Macedo e Thiago Ferri

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