Confinados em um hotel, árbitros vivem a ‘bolha’ do Campeonato Paulista

Confinados em um hotel, sem poder ver parentes e submetidos com frequência aos testes contra a COVID-19, os árbitros do Campeonato Paulista estão com uma rotina idêntica à dos jogadores. O isolamento social virou lei. Quem trabalha nas partidas das duas primeiras divisões do Estadual tem sido obrigado a permanecer em uma bolha e a criar novos hábitos para amenizar a distância da família e desempenhar atividades profissionais.

Foto: LEONARDO BENASSATTO/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Para conseguir a autorização das autoridades para a retomada do torneio, há cerca de duas semanas, a Federação Paulista de Futebol (FPF) criou no protocolo o esquema de bolhas de segurança. Tanto jogadores como árbitros devem permanecer isolados em hotéis ou centros de treinamentos e só saírem de lá para participar das partidas. Os cuidados estão mantidos enquanto não houver uma flexibilização nas regras estaduais de combate à pandemia.

Embora não sejam as estrelas dos jogos, os árbitros estão sob as mesmas regras aplicadas para os atletas. Todos cumprem a mesma cartilha de cuidados. São testes PCR a cada três dias e mais o exame antígeno realizado horas antes do jogo para garantir que não houve contágio. Para aplicar o isolamento social, a FPF reservou um hotel na zona oeste de São Paulo para abrigar cerca de 70 membros dos quadros de arbitragem e mais alguns funcionários.

Os cuidados para a bolha dos árbitros foram preparados pelo diretor médico da FPF, Moisés Cohen. “Cada árbitro está isolado em um quarto. Eles almoçam e jantam em grupos de seis pessoas e com revezamento de turmas no refeitório, para que não tenha aglomeração. Todos os funcionários do hotel estão orientados para evitar o contato”, explicou ao Estadão. As despesas de hospedagem são bancadas pela FPF.

O esquema de cuidados faz com que os árbitros só tenham contatos mais frequentes com os respectivos assistentes do próprio trio fixo de trabalho. Em alguns horários, há no máximo a proximidade com mais um outro trio durante as refeições.

Além do quarto e do restaurante do hotel, os árbitros passam diariamente pela academia. Os equipamentos de musculação e a esteira são compromissos diários para manter o preparo físico em dia. Para frequentar o espaço, há uma norma rígida de revezamento. A determinação é que no máximo dois trios de arbitragem compartilhem o mesmo horário na academia. Ainda assim, sempre com a utilização de máscara e higienização das superfícies com álcool.

A FPF apenas detectou casos de contaminação por covid-19 em dois árbitros nos testes prévios ao início da bolha. Desde então, a rotina controlada e a obediência de quem precisa impor a disciplina dentro de campo têm sido fundamentais para evitar problemas.

Fonte: Super Esportes

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