Candidatos a governador jogam água fria nos planos de Flamengo de administrar Maracanã

A mudança de governador no Rio pode frustrar o torcedor que aguarda por um desfecho no problema que se tornou a concessão do Maracanã. Nenhum dos dois candidatos que disputam o segundo turno, Eduardo Paes (DEM) e Wilson Witzel (PSC), vêem uma nova licitação como principal proposta para o estádio. O ex-prefeito, Paes, que ao longo do primeiro turno chegou a acenar com este cenário, questionado pelo blog, deixou claro que a manutenção da concessão à Odebrecht é o primeiro plano.

Os dois, no entanto, veem como essencial rediscutir a licitação. A Odebrecht, por sua vez, também se sente cada dia mais confortável com a concessão. Antes subjugado a apenas eventos musicais, nem todos com o glamour e importância de Roger Waters, que ocorre este mês, o estádio tem se mantido ocupado e lucrativo, sobretudo depois de ter fechado acordo de longo prazo (2 anos) com o Flamengo, por intermédio da agência até então desconhecida, EsporteCom, de propriedade de Bruno Rodrigues, tendo como sócio o pai, Washington Rodrigues, radialista.

Recentemente, a Justiça do Rio decretou a nulidade da licitação feita em 2013. Em tese, o contrato não estaria mais em vigor, mas as partes, entre elas, o Maracanã, pretendem recorrer da decisão. 

Veja abaixo as respostas dos dois candidatos sobre o Maracanã:

Eduardo Paes: 

Pergunta: o candidato pretende revogar a licitação do Maracanã? Pretende fazer uma nova? Ou pretende voltar a administrar do estádio para o Estado?

Não pretendo revogar a licitação. O ideal é que o estádio seja mantido em regime de concessão. Para resolver essa questão, é preciso ter a boa vontade de sentar e rever a concessão. Fazer os ajustes necessários no contrato para que ele seja bom tanto para o Estado quanto para o concessionário. E nessa revisão da concessão é importante discutir a criação de uma área popular para que todos os torcedores possam ter acesso ao estádio. Um local mais barato para o torcedor.

Em caso de nova licitação, os clubes poderão participar da disputa?

Queremos que os clubes possam ser beneficiados por este sistema de concessão; principalmente Flamengo e Fluminense, por não terem estádio.

Quais as propostas para a Secretaria de Esportes do Estado? Qual o perfil do secretário/a que ocupará a pasta?

Posso dizer que, se eleito, meu futuro secretário de Esportes terá que ter a capacidade de articulação e negociação para ajudar a construir as soluções para o Maracanã, mas não apenas isso. É preciso encontrar solução também para o Célio de Barros e o Parque Aquático Julio Delamare. O Julio Delamare voltou a ser aberto para a população e os atletas neste ano. Temos de seguir esse caminho e melhorá-lo. O que não pode é o Célio de Barros ficar parado como está hoje, servindo de estacionamento ou depósito.

Wilson Witzel:  

Pergunta: o candidato pretende revogar a licitação do Maracanã? Pretende fazer uma nova? Ou voltar a administrar do estádio para o Estado?

Em caso de nova licitação, os clubes poderão participar da disputa?

Vamos retomar as negociações com o consórcio que adquiriu a concessão para que possamos propor uma nova modalidade de PPP (parceria público-privada), rediscutindo a equação econômico-financeira e chamando para essa conversa, inclusive, as associações de clubes de futebol para que, em conjunto, encontremos uma solução. Isso já deveria ter sido feito. Quando se faz uma PPP, se faz audiências públicas e um dos maiores problemas que temos no Brasil em relação às PPP’s é a insegurança jurídica. A do Maracanã, infelizmente, é mais uma que não deu certo no Brasil e que, aos olhos dos investidores, aumenta o risco de qualquer negociação. Isso é muito ruim.

Faremos com que os contratos celebrados sejam milimetricamente respeitados, o que não aconteceu. Um governo completamente atabalhoado, diante de pressão popular, descumpriu o contrato elaborado. Isso foi uma falha na concessão, o que não é admissível. E também é importante dizer que uma nova liticação do estádio não está descartada. Vou adiantar uma questão importante, que venho defendendo e que não está sendo muito bem utilizada em nosso contrato de PPP, que é a possibilidade de arbitragem, conforme prevê a Lei das Concessões de parceria público-privada. Vamos, no edital de convocação, explicitar que qualquer discussão jurídica será resolvida mediante uma corte de arbitragem no prazo máximo de 60 dias. Isso tratá, para os investidores, segurança jurídica, equilíbrio contratual e maior interesse. Mas uma coisa é certa: o Estado não assumirá, através da Suderj, o Maracanã ou qualquer outro aparelho voltado para a prática do esporte. Nós somos defensores do liberalismo e o Estado deve colocar na mão dos particulares, que entendem de futebol. Estado não entende de futebol, Estado deve ser um facilitador da atividade esportiva para quem entende disso e trabalha com isso.

Quais as propostas para a Secretaria de Esportes do Estado? Qual o perfil do secretário/a que ocupará a pasta?

Estamos focados no segundo turno, em apresentar nossas propostas para o eleitor de todo o estado. Não estamos tratando de nomes ou da formação de um possível governo. Sobre a Secretaria de Esportes, entre nossas propostas estão criar parcerias do Governo do Estado com federações desportivas e clubes, dentro da filosofia de que essas entidades são as mais capacitadas e especializadas para a promoção do esporte, ficando a Secretaria responsável pelo apoio logístico e facilitação ao uso de espaços e aparelhos públicos de prática desportiva, além de eventual aporte financeiro para bolsas e patrocínios para atletas e entidades, em especial no esporte olímpico e paraolímpico.

Vamos destinar os aparelhos inativos das Olimpíadas para uso e de federações e clubes, inclusive com apoio para reformas e projetos dos espaços, com possibilidade de concessão, de acordo com o interesse público. Também queremos implantar um modelo de valorização desportiva nas escolas públicas e fazer parcerias com clubes e federações para revelações de talentos e apoio a atividades desportivas de jogos interescolares. Vamos fazer uma discussão pública sobre o uso e possíveis parcerias para o Complexo Caio Martins, o da Rocinha, o do Sampaio e do Piscinão de São Gonçalo, criando formas de aumento do uso popular dessas áreas. E queremos criar um complexo esportivo-educacional, na região do Maracanã, em parceria com a UERJ, o CEFET, os clubes e empresas do ramo esportivo, permitindo a educação e a formação de jovens com potencial esportivo.

Por Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br

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