Rafael Henzel narra 1º gol da Chape em Libertadores e homenageia vítimas de tragédia

Aos poucos, os sobreviventes da tragédia que dizimou parte do elenco da Chapecoense, no fim de 2016, vão refazendo suas vidas. Naquele voo da LaMia, que levava a equipe catarinense para disputar a final da Copa Sul-Americana, estavam também tripulantes e jornalistas. Único representante da imprensa vivo após o desastre, o radialista Rafael Henzel cobriu mais um fato histórico da Chape na última terça-feira (8). Na estreia da equipe alviverde na Libertadores, ele narrou o primeiro gol da história da agremiação no torneio, marcado por Reinaldo. Ao final, a Chapecoense venceu o Zulia por 2 a 1, na Venezuela. Para Henzel, foi uma emoção única, que o fez lembrar dos amigos que morreram naquele 29 de novembro de 2016. “Ontem, inclusive, lembrei dos demais colegas jornalistas locais que morreram no acidente. Tínhamos todos um sonho de juntos cobrirmos uma Libertadores com a Chape”, contou, em entrevista ao Bahia Notícias. O acidente na Colômbia abalou a história de um clube com uma história recente de simpatia com os torcedores brasileiros, sobretudo pelos resultados alcançados rapidamente. À beira da falência, a instituição se reergueu, saiu de uma Série D em 2009 e conquistou o título sul-americano no ano passado, numa homenagem por conta do fatídico episódio que matou 71 pessoas a bordo do avião da LaMia. Para Henzel, a história de superação se confunde com sua própria trajetória pessoal. O gol de Reinaldo resumiu todo seu sentimento trazido até aquele momento. “Além disso, faço um paralelo da minha vida com a Chape, com dificuldades e alegrias. Quando terminou o jogo veio aquela sensação que nos motiva. É possível. Tudo é possível. Narrei com o coração meu e daqueles que não estão mais aqui”, confessou. Este resultado conquistado fora de casa, na visão do radialista, é apenas a continuação de um enredo vencedor da Chapecoense. “Foi uma das maiores emoções que vivi como profissional. Jamais imaginávamos chegar tão longe no mundo do futebol. A menos de oito anos nós não tínhamos sequer uma série para disputar. Esse ano será o quarto ano de Série A”, resumiu.

Por Matheus Caldas

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