Pré-temporada em 2018, custo de R$ 700 mil, estádio próprio: o sucesso do Bahia de Feira

Engana-se quem pensa que o sucesso do Bahia de Feira é aleatório. Classificado para a final do Campeonato Baiano após oito anos, quando vai enfrentar o seu xará Bahia, o Tremendão se planejou para este momento. Em setembro de 2018, quando muitas equipes nem imaginavam como seria 2019 ou, como o próprio adversário desta final, estavam em disputa de outras competições, o Bahia de Feira já fazia pré-temporada com um objetivo bem claro: repetir o sucesso de 2011 e conquistar o estado.

Bahia de Feira iniciou pré-temporada em setembro de 2018 — Foto: Bahia de Feira / Divulgação

A estratégia do Bahia de Feira se baseava em montar o elenco o quanto antes e largar na frente dos outros clubes. Assim, poderia escolher os atletas que melhor encaixassem no estilo do técnico Quintino Barbosa sem enfrentar concorrência. A partir daí, o Tremendão daria início ao período de treino para que, em janeiro de 2019, estivesse voando fisicamente.

– O que acontece hoje com os clubes do interior da Bahia, que a maioria não chega a uma situação de ir para a final, é que os atletas que rodam pelo estado, a partir de abril ou maio, ou jogam a Série B ou ficam desempregados. Começam a pré-temporada em dezembro, temos apenas um mês de preparação, e o time às vezes não se encaixa. A gente começa a competição com resultados adversos. Do meio para o fim é que consegue aliar. Baseado nisso, sentei com Thiago [Oliveira, filho de Jodilson e presidente do Conselho Deliberativo do Tremendão] e fizemos um planejamento que o Bahia de Feira não começaria a temporada em dezembro, mas sim em setembro. Tivemos mais facilidade para contratar os atletas que queríamos e tivemos uma pré-temporada mais longa. Quando chegou no início de janeiro, Barbosinha já tinha o time todo montado e jogando bem posicionado, ou seja, bem encaixado. Para mim esse foi o segredo para a gente conseguir chegar à final – diz Jodilton Oliveira, presidente do clube, em entrevista ao GloboEsporte.com.

Para a disputa da competição, o presidente do Bahia de Feira calcula um custo de R$ 700 mil. Para arrecadar, o clube apostou na chegada de patrocinadores e também em outra novidade para a temporada: o estádio próprio. Na Arena Cajueiro, o Tremendão ficou invicto, com três triunfos e três empates. Por ter capacidade para 3.5 mil torcedores, o estádio não vai poder ser usado na final e, por isso, o clube vai mandar seu jogo no Joia da Princesa.

Bahia de Feira disputou boa parte do Baianão com estádio próprio, a Arena Cajueiro — Foto: Bahia de Feira / Divulgação

– Com relação à folha salarial, não tenho uma base individualmente. Fizemos o planejamento do custo. O Bahia de Feira girou em torno de R$ 700 mil. Sendo que tivemos um percentual de receita dos jogos, tivemos superávit, coisa que nunca aconteceu no Joia da Princesa. Tivemos alguns patrocinadores, que não tínhamos anteriormente. Parceiros que nos ajudaram. E o mais importante foi o Bahia de Feira ser esse ano o único time do interior com estádio próprio, alojamento próprio, trabalhando bem as divisões de base e gerando situações que me fazem ter certeza que o Bahia de Feira será um dos grandes times do futebol brasileiro.

A estratégia surtiu efeito rápido no Campeonato Baiano. O Bahia de Feira começou a competição vencendo os três primeiros jogos. O Tremendão acabou a primeira fase com a melhor campanha: quatro triunfos, quatro empates e uma derrota. E a derrota não foi para nenhum dos grandes da capital. A equipe de Feira de Santana bateu o Bahia na Arena Fonte Nova e empatou com o Vitória.

– Jogamos 11 partidas e perdemos apenas uma, para o Atlético de Alagoinhas, em Alagoinhas, onde nosso atacante, Deon, foi expulso com 3 minutos de jogo. Jogamos a partida toda com um a menos. E mesmo assim o jogo foi duríssimo. Fizemos 1 a 0, eles empataram e foram fazer o segundo gol aos 35 do segundo tempo. O time resistiu bem e poderíamos estar na competição de forma invicta – lembra Jodilton.

Na Arena Cajueiro, Bahia de Feira ficou invicto: três vitórias e três empates — Foto: Bahia de Feira / Divulgação

E o futuro?

O Bahia de Feira tem a conquista do Campeonato Baiano como objetivo, mas pensa mais alto. O clube vai disputar a Série D do Campeonato Brasileiro e mira o acesso para a Série C já nesta temporada. Para os próximos anos, o clube também se adiantou e renovou o contrato de 12 jogadores até 2021.

– Acho que começar a pré-temporada em setembro foi uma coisa inédita na história do futebol da Bahia. Por isso que acho que dentro, desse processo, nós tivemos vantagens diante de outras equipes. Pensando nessa situação, fizemos na semana passada o contrato com 12 atletas do plantel para mais dois anos e meio, vai até 2021. Isso nos dá a garantia que no próximo ano começaremos o Baiano com a equipe montada, preparada e partindo na frente das outras equipes. Fizemos isso porque preciso de calendário, o que conquistei esse ano. Vamos disputar a Série D e a Copa Governador. Quando terminar a Copa Governador, daremos descanso de dez dias aos atletas e retornamos com o time praticamente montado. Vamos fazer quatro ou cinco contratações pontuais para a Série D e para o ano, já que nossa divisão de base oferece oito atletas que vão compor o grupo profissional.

– Renovamos os contratos dos principais atletas, vamos disputar a Série D e a Copa do Governador. No próximo ano estaremos com a equipe montada para disputar o Baiano. Estamos com a expectativa positiva de que o Bahia de Feira possa conquistar já neste ano o acesso para a Série C.

Com grandes pretensões, o Bahia de Feira quer começar a colher os frutos já neste domingo e conquistar o estado como em 2011. Apesar de ver o adversário com uma pequena vantagem, Jodilton acredita que o Tremendão tem capacidade de surpreender e fazer história.

– Com relação a repetir o que houve em 2011, na final contra o Vitória, entendemos que hoje essa final está mais ou menos equiparada. Em 2011, o melhor classificado jogava por dois resultados iguais. O Vitória jogava por dois empates ou uma vitória e uma derrota. Já esse ano não. Se tivermos dois resultados iguais, teremos a decisão nos pênaltis. O Bahia leva uma pequena vantagem pelo investimento, talvez 60%. E nós temos 40%. Temos uma equipe bem ajustada, bem alinhada, onde as peças estão funcionando, e que pode surpreender o Bahia, como fizemos em 2011.


Por Ruan Melo/ Globoesporte.com/BA

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