Flu de Feira promete revolução, admite crise financeira e lamenta falta de acessos nacionais

Momento em que Rafael Granja marcou na derrota para o Volta Redonda, na Série D | Foto: Francisco Carlos / Ag Haack / BN

 Feira de Santana – Campeão da Série B do Campeonato Baiano e Copa Governador em 2015; Semifinalista do estadual em 2016 e um dos oito melhores times da Série D do mesmo ano. Dentro de campo, o Fluminense de Feira vem numa sequência positiva. No entanto, esses bons resultados não deram retorno ao clube que, no momento, vive uma crise financeira. Nesse cenário, e após o pedido de afastamento do presidente Gerinaldo Costa (leia mais aqui), foi montada uma cúpula para uma reformulação total na estrutura do time feirense.

Na linha sucessória, o vice-presidente Everton Cerqueira deveria ter assumido. Contudo, ele venceu a eleição municipal em Candeal. Com isso, um grupo de coordenação entrou em cena, como explica Zé Chico, diretor do Touro, que faz parte dessa equipe. “Ele [Everton Cerqueira] fez uma coordenação com toda a diretoria. Essa gestão ficou comigo, com o Luiz Paolilo Filho, Junior Mesquita, Fernando Tadeu, Aelcio, Cristiano Alves e Leon Vanderlei”, disse, em entrevista ao Bahia Notícias.

O intuito é promover uma verdadeira revolução dentro de um clube que, apesar da competitividade dentro das quatro linhas, passa por problemas financeiros. De acordo com Zé Chico, intervenções estão sendo feitas no CT Nóide Cerqueira (leia mais aqui) e na sede do Flu. “Isso já vinha sugerido há dois anos. Essa modernização. Tanto é que em agosto nós interditamos o centro pelas condições de campo. Não tanto pela hotelaria. Mas o campo não existia. Mas criamos essa comissão desde o 1º de janeiro. Fizemos o muramento do CT, estamos pintando e revisando toda a parte hoteleira para receber os atletas e estamos cavando mais um poço artesiano que, através de um conselheiro, que tem uma empresa, está nos ajudando. Estamos fazendo um campo novo também, que esperamos estar prontos em 40 dias e a reforma da sede”, revelou.

Zé Chico é um dos membros da cúpula diretora | Foto: Cristiano Alves/Divulgação

Na sede, a diretoria criará uma loja oficial para vender produtos com a marca do Fluminense de Feira. Além disso, será criado o plano de sócio torcedor, que deverá ser concluído em janeiro, e haverá uma parceria com uma cervejaria para produzir bebidas com a marca da equipe de Feira de Santana. Outra medida será a criação de um time de basquete para fomentar um esporte olímpico com a marca da agremiação.

Para o dirigente tricolor, as intervenções são uma forma de aliviar as finanças do clube e, a curto/médio prazo, fortalecer a instituição. “Queremos fortalecer o clube. O time, como terá dois campeonatos, teremos um calendário. Na Série D, mostramos essa força. Ficamos à frente do América-MG em média de público. Imagine se tivéssemos uma marca mais forte. Já é forte, mas é preciso ter um trabalho em cima dela. Se fizemos isso, a tendência é crescer. Temos uma cidade com 700 mil habitantes. Um clube como o Fluminense não ter uma marca forte… Sempre solicitei isso. Estamos buscando um departamento de marketing para fomentar tudo isso (…) Eu acho que isso não pagará a folha, mas ajudará a manter a estrutura do clube como um todo”, pontuou.

Ao admitir que o clube possui um déficit no balanço financeiro, o diretor prevê uma temporada sem tantos resultados dentro de campo como em 2016. Na visão de Zé Chico, a falta de investimentos na maioria das competições menos abastadas do futebol brasileiro é um problema para as finanças do clube. “Tivemos um Baiano sem o Joia e não tivemos renda praticamente. Fomos pra uma Série D que foi o que aliviou um pouco, pois teve bilheteria. Isso desaguou tudo agora, com compromissos que não foram quitados. Infelizmente, o clube tem um déficit grande, mas estamos procurando resolver da melhor maneira possível. O projeto tem que ser tocado assim mesmo”, declarou.

Por conta desses percalços, o sonho do acesso à Série C deve ser novamente adiado. “Eu acho que se não buscarmos no sócio e na parceria que estamos trabalhando, não devemos conseguir um acesso, e o Baiano também fica complicado”, lamentou.

Campo do CT Nóide Cerqueira aguarda o muramento | Foto: Sidnei Campos / Folha do Estado

Por fim, Zé Chico também pediu um apoio maior da Federação Bahiana de Futebol (FBF). Apesar de considerar que a entidade “não tem culpa no cartório”, ele acha que os times baianos que participam da Série D deveriam receber um maior aporte financeiro. O diretor também lembrou que nenhum time do interior baiano jamais conseguiu um acesso em torneios nacionais. “Deveria haver um incentivo maior. A própria federação… Precisaria haver ajuda da FBF para os clubes da Série D. Nunca tivemos um clube na Série C. Só Bahia e Vitória quando desceram (risos). Isso tem que ser mudado (…) você depender da dupla Ba-Vi a vida toda… como faz futebol assim? Eles têm a cadeira cativa deles. É por isso que nossos estaduais estão perdendo força, principalmente o nosso”, finalizou.

Em 2017, o Fluminense de Feira participará do Campeonato Baiano e do Campeonato Brasileiro da Série D. No estadual, a estreia será apenas na segunda rodada. No dia 2 de fevereiro, o Touro do Sertão visitará o Galícia, em Pituaçu.

Por Matheus Caldas

Comentários