Com R$ 500 mi de renda, CBF diz não ter dinheiro para árbitro de vídeo

Viktor Kassai revê pênalti. Arnado Cezar Coelho vê impedimento (Foto: Reprodução SporTV)
Viktor Kassai revê pênalti. Arnado Cezar Coelho vê impedimento (Foto: Reprodução SporTV)

O chefe da comissão de arbitragem da CBF, Marcos Marinho, informou que o maior empecilho para a implantação do árbitro de vídeo da entidade. O custo inicial estimado é R$ 15 milhões. A confederação tem uma receita anual em torno de R$ 500 milhões e acumula superávits de cerca de R$ 60 milhões.

Há duas questões que emperram o árbitro de vídeo e podem impedir que sejam testados já no Brasileiro-2017. A primeira são discordâncias entre a CBF e a Fifa sobre quando usar os vídeos. A segunda, e mais importante, é a falta de disposição da confederação para gastar com o item.

Segundo Marinho, hoje a CBF não tem os valores necessários para investir no árbitro. ”É a principal barreira. Não é só isso (R$ 15 milhões). Tem que ter treinamento do árbitro de vídeo, preparar. Aumenta o custo disso aí. Isso tudo vai somando e não é barato não. Não é uma coisa tão simples”, contou ele.

O chefe de arbitragem disse que o valor seria por um ano de competição. Isso incluiria equipamentos para ter árbitros de vídeo em todos os estádios, mas não as filmagens em si que seriam feitas pela Globo. Ainda teria de haver investimento em treinamento. E é apenas uma base, segundo Marcos Marinho, porque pode ”ser mais do que isso”.

O valor base de R$ 15 milhões representa cerca de 3% da receita anual da CBF de 2015 – R$ 518 milhões – ou um pouco menos de um quarto do superávit (R$ 65 milhões). Ao final do ano passado, a confederação registrou em aplicações financeiras e outros: R$ 227 milhões. Só essa reserva daria para pagar 15 anos do árbitro de vídeo.

Em relação às diferenças com a Fifa, a CBF não concorda com o uso de tecnologia em certos lances interpretativos como cartões. A entidade até aceita que o árbitro do campo possa fazer uma consulta sobre um pênalti, mas não que o juiz de vídeo possa dar opiniões por conta própria.

”Se o árbitro de campo tiver alguma dúvida sobre o que apitou (ele pode consultar). Às vezes ele pode ter dúvida, mas é lance dele, não lance interpretativo lá de cima”, explicou Marinho.

Embora seja resistente a investir no árbitro de vídeo, a CBF reconhece problemas na arbitragem. Marinho fez um diagnóstico que apontou erros dos juízes em lances interpretativos, como bolas na mão.

”Tivemos altos e baixos. Temos que enfrentar um problema muito sério que é de uniformidade. Novos conceitos que tivemos com instruções da Fifa. São conceitos de árbitros que eles não fixaram. E outras coisinhas que observamos de critérios de cartões. A gente precisa avançar muito mais. A gente está selecionado as principais problemas de reclamações”, disse ele.

Por Rodrigo Mattos/UOL

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