Após calote, técnico do Ypiranga fica com dívida de R$ 40 mil em hotel

Técnico Roberto Gaúcho (ao centro) assinou a ficha no hotel e ficou com a dívida em seu nome (Foto: Ypiranga/Divulgação)

Os três meses em que o Ypiranga foi administrado pelo suposto representante de um investidor carioca teria trazido dívidas para o Mais Querido e prejuízo para pessoas ligadas ao clube de 110 anos. Segundo informações da 7ª Delegacia de Polícia Civil, no Rio Vermelho, a gerência do hotel Golden Tulip, no mesmo bairro, prestou queixa na terça-feira (18) alegando que o treinador Roberto Gaúcho e outros membros da sua comissão técnica ficaram hospedados lá por 40 dias, ao custo de quase R$ 40 mil, que em momento nenhum foram pagos.

De acordo com a Polícia Civil, os recibos da hospedagem foram assinados pelo próprio Roberto Gaúcho. Este, por sua vez, disse tê-lo feito após acordo com João Vicente da Silva, representante de Carlos de Castro Zamponi, suposto investidor do clube, de que quitaria os gastos.

A delegacia afirmou também que a reserva foi feita em nome de uma agência de viagens, ainda não localizada. Os demais envolvidos foram chamados para depoimento. A assessoria de comunicação do Golden Tulip afirma apenas que “o caso está sendo tratado pelas autoridades competentes”.

O CORREIO ainda conversou com um advogado de um funcionário do Ypiranga que teria sido convencido por João Vicente a investir no clube, e que entregou ao representante uma quantia de dinheiro. O acordo teria sido por compra de ações da Aurinegro Participações, empresa que seria criada para gerir o futebol do clube. O negócio seria concretizado quando a empresa fosse criada, mas em consulta feita pelo CORREIO, na tarde de quarta-feira (19), a Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb) não identificou nenhuma empresa com este nome nem qualquer registro de companhias nos nomes de João Vicente da Silva, Carlos de Castro Zamponi ou de Ana Paula Pereira Abdala Dib, que seria a representante legal de Carlos Zamponi no acordo com o Ypiranga.

Em contato prévio com o CORREIO, o próprio João Vicente da Silva confirmou que havia adotado essa ação: “Peguei um investidor que é da Bahia, sim, e ele se tornou investidor da Aurinegro Participações. Quem fez o convencimento para que ele fizesse esse investimento fui eu. Foi um profissional do clube, sim. Não houve nenhum movimento estranho. Houve um investimento, com documento, com registro”, explicou.

Dono de time carioca também reclama de calote

O CORREIO também teve contato com Jorge Luiz Cardoso da Silva, ex-proprietário do Condor Atlético Clube, agremiação do município de Queimados, no Rio de Janeiro. Ele confirmou ter vendido o Condor em maio de 2016 para João Vicente da Silva. Este foi representado no negócio por um sócio, proprietário de uma empresa, que Jorge Luiz disse não ter identificado. Em troca, receberia R$ 350 mil em três parcelas, a serem pagas em outubro de 2016, em abril deste ano e em abril de 2018.

Jorge alega não ter recebido qualquer valor do negócio e, ao ver vencer a segunda parcela, decidiu procurar a Justiça. “Ele acompanhava os treinos do clube e começou a perceber a minha desilusão. Daí, insistiu para que eu vendesse o Condor a ele”, conta.

O Condor é a agremiação em que, como consta no acordo firmado com o Ypiranga, o investidor registraria os jogadores contratados por ele e depois emprestaria sem custos para o Mais Querido, que ficaria com porcentagem de uma possível venda.

O CORREIO procurou João Vicente da Silva para ouvir suas explicações, mas não obteve retorno.

Por Correio 24horas

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